Peça de Teatro da autoria de Augusto Souto Barreiros, levada a cena em 1948, com um consideravel exito regional na época, e renascido em 2008, com o apoio da Junta de Freguesia de Azinhaga.
Excerto:
I QUADRO
Vista das Lezírias em tarde de sol ardente. Ao longe quase no infinito do horizonte, pasta, tranquila e negra, uma manada de toiros.
(Enquanto a orquestra toca, como abertura, o fado - canção "Sol das Lezírias", o pano sobe, encontrando-se a D.B. o Zé, olhando a vastidão da campina, com o queixo apoiado nas mãos que seguravam a ponta do pau de junco de pé ferrado. De barrete verde caído sobre as costas, jaqueta ao ombro, camisa desgrenhada e cinta vermelha a prender-lhe às calças - à - boca - de - sino, fica, por momentos, na mesma posição como quem observa o gado que pasta. Depois, avança uns passos até ao meio do palco e canta
"Sol das Lezírias"
I
Sol da Lezírias Caindo alto dos céus, Alaranjado
É um presente de Deus! Sol das Lezírias Que doira toda a campina é mar de lume embalado por teus olhos de menina Sol das Lezírias É a mais linda mulher, Quente, escaldante, Que tanto me faz sofrer! Sol das Lezírias É o fogo abrasador Dos beijos da nossa amante Na loucura do amor:
És como o sol, ó Maria, Que tanta beleza encerra: Tu és a minha alegria, Ele a alegria da terra! Se te vejo, o sol nasceu Eà sua luz eu iabuto... Não te vejo, o sol morreu, Fica o coração de luto!
Maria - (entra pela E., vestindo à maneira do campo - blusa, saia e avental de chita - trazendo uma caldeira na
mão. Quando vê o Zé dirige-se-lhe); Quem canta seu mal espanta ...
Zé- É verdade, Maria! Quem canta...
Maria(atalhando) - E que mal te consome?
Zé- O mal do amor; as mágoas do coração!
Maria- E tu, também, tens dessas maleitas?
Zé- Não sabes, cachopa?!
Maria(fingindo-se admirada) - Eu?!...
Zé- Sim, tu!
Maria- E porque "haverá" de ser eu que o soubesse?